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Meus dez discos favoritos de todos os tempos. Não consegui estabelecer uma ordem entre eles, a não ser o primeiro lugar, que vai indiscutivelmente para o Goo, do Sonic Youth. Todos os demais estão em segundo.

Obs.: Favor não plastificar a página.

Goo – Sonic Youth.

Meu primeiro contato com o Sonic Youth veio com o álbum Dirty, mais precisamente com “100%” na MTV. Os três acordes não eram punk; o gorro e a camisa xadrez não eram grunge; a sujeira e o peso não eram agressividade, mas uma névoa de tristeza sem causa que aos poucos nos tomava. Depois fui atrás de tudo o mais da banda. Tinha ido morar com uma tia em Nova Jersey, aos 15 anos, o que facilitou – e muito – essa busca, numa época sem internet e peer to peer. Goo se entranhou em tudo o que via, ouvia e tocava. Tunic era cinza e galhos pretos em lupas de gelo. Caminhava pelos corredores da escola com Kool Thing, e o burburinho e gritos soltos e portas de armário se fechando ainda parecem parte da música. Dirty Boots esperava o ônibus amarelo numa esquina, mochila num dos ombros, boné do Pantera. E Disappearer apagava a luz até de manhã.

John Coltrane – A Love Supreme


Comprei o CD. Depois baixei-o em mp3.  Depois comprei o vinil. Minha música preferida de Coltrane não está nesse disco, mas A Love Supreme é um tipo de experiência musical mais urgente, primitiva e irracional por que todos deveriam passar pelo menos uma vez nessa vida. Com idas e vindas de oitavas, frases recorrentes, ritmo hipnótico e o tempo desfragmentado que o modalismo evoca, o disco parece ser um exercício de subversão do tempo-espaço. Coltrane parece querer ocupar todos os lugares ao mesmo tempo, o que quer dizer transformar todos os lugares num lugar apenas, todos os tempos num tempo apenas. Uma essência, um grão, a onipresença que acreditamos divina.

Broken Social Scene – Broken Social Scene


Demorei muito a escutar Broken Social Scene. Acho que nada produzido neste século chega perto desse disco. É uma outra noção de música: às vezes parece que a canção nunca começa, uma sensação de que algo grande está para acontecer, mas vem o silêncio e você descobre que justamente aquela espera, aquela INCONCLUSÃO, era o grande acontecimento; às vezes parece que várias canções vão brotando de cada aresta melódica e que os músicos vão sendo tragados por esse movimento sem saber realmente para onde estão indo, mas sem medo de se perder. São tantos detalhes, tantas texturas e sobreposições que essa ideia que o disco passa de acaso e de instinto na construção das canções são um dos mais belos mistérios para os ouvidos na história recente da música.

Tom Waits – The Heart of Saturday Night


Não é para ser ouvido no calor. Sua venda é proibida em Manaus. Neon no horizonte, sarjetas, bourbon, piano nos dedos, cigarro na boca, edifícios de pedra, voz rouca como símbolo de invernos e de ressacas. Pode ter sido feito em Los Angeles, mas esse blues pertence a Nova Iorque. Não se pode suar nesse universo, a não ser se for comendo aquela garçonete do Munson Diner, a quem dedicaste alguns versos durante um longo café às quatro e meia.

Além do mais, o disco ainda tem a segunda frase mais blueseira de todos os tempos: “Two dead ends and you still got to choose” (Fumblin‘ With The Blues). A primeira pertence a B.B. King: “Nobody loves me like my mother… and she could be jiving too”.

The Pharcyde – Bizarre Ride II


Não consigo ouvir o refrão de Soul Flower e continuar parado. Muito humor, batidas chapadas, um pezinho no jazz, outro no soul, outro (?) na jaca. Animou muita festa de branquelos americanos em Paris no fim dos anos 90, ao lado de Digable Planets, A Tribe Called Quest, People Under The Stairs, Da Coup, The Roots, Pete Rock & C.L. Smooth e outros grupos alternativos de rap. Pedras marroquinas, longos cachimbos, garrafas de vinho barato e um pacote úmido de West Virginia completavam a noite.

Dinosaur Jr. – You‘re Living All Over Me


J Mascis era O cara na minha adolescência: guitarrista, letrista e compositor da Dinosaur Jr, banda que fazia a molecada correr atrás de CDs piratas, gravações de shows, cartazes e tudo o mais. Lembro de ficar economizando uma grana para torrar numa feira só de artigos relacionados com música que passava de vez em quando por Nova Jersey. Vários estandes se espalhavam por um imenso gramado, onde sobreviventes de woodstock, nerds e demais outsiders vendiam toda espécie de memorabília musical, além de discos e mais discos, edições especiais, cds piratas de shows, etc. Comprávamos tudo o que encontrávamos do Dinosaur Jr.

Little Fury Things e In a Jar, duas de minhas preferidas, estão neste disco.

Led Zeppelin – Led Zeppelin III


Minha mãe tinha uma loja de sapatos e uma cliente compulsiva que tinha uma loja (bem ruinzinha) de discos. Certa vez, para pagar uma dívida de sandálias e cintos, ela disse a minha mãe para passar por lá e levar o que quisesse. Minha mãe me levou para ajudar. Na época ouvia quase que exclusivamente AC/DC. Queria largar Iron Maiden, estava proibido de pegar o LP do King Diamond de volta depois que minha mãe o confiscara, cansada de meus pesadelos com Abigail. Então lá estavam eles, a trinca. Led Zeppelin I, II e III. Peguei todos, fiquei mais com o III. Since I‘ve Been Loving You e Tangerine estavam lá, e um mundo totalmente novo.

Novos Baianos – Novos Baianos F.C.


A Tropicalia pode ter dado a ideia, mas quem conseguiu transformar a guitarra num instrumento legitimamente brasileiro foi Pepeu Gomes e turma. Não é samba, não é rock, não é jazz, é alguma coisa no meio testando as beiradas. Pra mim, esses hippies doidões foram os grandes gênios da música brasileira.

Pago pau pra Pepeu.

Oscar Peterson – Night Train


Foi o disco que me levou ao jazz. Acho que o trio de piano, baixo e bateria é a formação ideal por meio da qual se pode adentrar por esse mundo de melodias e harmonias complexas e menos óbvias do jazz, sem que se sofra um grande choque. Dentro dessa formação, esse disco bem blueseiro de Oscar Peterson faz esse trânsito de maneira mais agradável ainda.

Wilco – Sky Blue Sky


Esse é o disco que eu gostaria de ter feito. A cada solo de guitarra, a cada linha de piano, a cada harmônica vocal, a cada pausa, tenho a plena consciência de quem sou, da pele que me fronteiriza, da distância de meu horizonte. A cada segundo reconheço os meus limites.

Escutar Sky Blue Sky é exercitar a sensação do Sublime, que não é a coisa, como muitos pensam, mas algo que porventura se sente diante da coisa  (o disco não pode ser sublime, mas pode gerar em mim a sensação do sublime). Quando ficamos, por exemplo, diante de uma bela e enorme obra arquitetônica e sentimos um engrandecimento orgulhoso pelo “tamanho” da beleza que o homem é capaz de produzir, ao mesmo tempo em que nos vemos tão pequenos diante daquilo, tão insignificantes aos seus pés, experimentamos essa sensação de que falo. Esse paradoxo de ser grande e ínfimo ao mesmo tempo.

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15 de Janeiro. 20h. Ingresso comprado.

Aqui em baixo:

Junior Mance tocou com Charlie Parker, Dizzie Gillespie, Cannonball Adderley e Coleman Hawkins antes de começar a montar seus próprios grupos, a partir da década de 60.

No vídeo lá de cima (ignorem o clipe), ele mostra sua versão de uma música que, para mim, é uma das mais belas composições da história da humanidade.

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John Coltrane – My Favorite Things

vinha de longe e devia ser uma serpente e estava em todos os lugares às vezes a cada oitava de seus chocalhos em minúsculos semitons e curvas ao meu redor. Ela estava lá, onda de dedos e uma serpente que às vezes fica longe, atrás de uma rocha um acorde para todo o sempre até que a nota, essa mesma nota seus intervalos de veludo reiterados de vento e dos demais tecidos que a alargam pelo caminho, ela mesma, a coisa mesma sempre, e de repente ela estava bem aqui todo esse tempo, com seu chocalho e devia ser uma serpente dentro

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Kutiman

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=tprMEs-zfQA&hl=en&fs=1]

Conheci por meio do churrasco na laje.

Kutiman é o nome do camarada, DJ que cria músicas/clipes somente a partir dos sons/imagens que pega no YouTube. Acho o projeto muito interessante: não é música só para ouvir, o som e a imagem são indissociáveis.

Aqui está o site do projeto.

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Via Ponto de Fuga

livro

Cada uma das obras mencionadas no livro, com link para quem quiser baixar. Podem sentar nesse pudim:

CLIQUE AQUI PARA VER A LISTA

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Se um cheiro ativa rapidamente uma memória; uma música imediatamente a distorce. Às vezes sei quais notas servem para ressaltar tais cores, que harmonia filtra cada detalhe, qual silêncio me garante uma sombra.

Qualquer passado depende.

Sei que um ré menor, por exemplo, coloca manchas úmidas de óleo quente no ponto da calçada onde ralei as mãos e por muito pouco não o rosto, após sentir a fragilidade de meus itinerários diante de um joelho ruim. E que qualquer madrugada perdida, qualquer volta pra casa antes do primeiro toque, beijo ou hálito no pescoço que seja, se unta de caramelos ao primeiro sinal de uma pentatônica.

Com essa aqui: [audio http://www.controlegabiru.com.br/audio/What_You_Want.mp3] minha adolescência de o gordo da classe ganha granulações de super-8, e um amarelado sujo nas paredes da sala.

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Mais uma fita

Estava testando o opentape – uma vez que o mixwit encerrou as atividades -, mas não consegui postar o player aqui no blog.

Sempre gostei de gravar fitas para os amigos, para as meninas especialmente…

uma arrogância que se submete à aprovação, por mais estranho que isso possa soar. O fato é que a possibilidade de compartilhar compilações musicais em larga escala na internet é uma das coisas mais bacanas dessa grande rede.

Como não consegui colocar o player, segue o link da fita e o playlist comentado abaixo:

Coletânea Olho de Quem vol.2

1. O Samba da Minha Terra – Novos Baianos (melhor banda brasileira de todos os tempos, inclusive dos tempos que ainda estão por vir. Gosto do que eles são capazes de fazer com um samba, do violão pra guitarra, rock, jazz e cavaquinho, tudo cabe, nada sobra)

2. On The Beach – Neil Young (Sou viciado nessa música. O solo de guitarra a partir dos 3:02 é uma das coisas mais bonitas que já ouvi)

3. O Samba Chegou – Bonsucesso Samba Clube (banda de pernambuco de que gosto bastante. estão sumidos…)

4. Kidnapping An Heiress – Black Box Recorder (outra banda sumida… pelo menos aos meus ouvidos)

5. Hey Tonight – Creedence Clearwater Revival (toda vez que escuto creedence, me lembro do Dude do Grande Lebowski, um filme subestimado pela crítica, mas um dos meus favoritos)

6. Coming Into Los Angeles – Arlo Guthrie (boa mistura de country e folk)

7. Tu Can Nun Chiagne – Caruso (não sou muito fã ou conhecedor da música lírica, mas dessa canção gostei de primeira… mais dramático que isso só alguns flamencos)

8. Parasites – Ugly Casanova (banda do vocalista de um dos meus grupos preferidos, Modest Mouse.

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Saiu EP novo!

Vastas Todas as Coisas

Vastas Todas as Coisas

Gravado de vez em quando, durante 2008, entre filhos, madrugadas, trocas de cordas e de opiniões.

Gravado em casa, no quartinho do computador.

Mesmo os chiados são de coração.

Quem se interessar pode baixar o EP gratuitamente na seção “discografia” do endereço abaixo:

www.controlegabiru.com.br/carroca.html

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capa do disco

capa do disco

Música de preto me dá ilusões de força. Às vezes no sexo, tocando; às vezes no palco, tocando… essa inexplicável e primitiva grandeza, esse vigor que incomoda aos que espiam apenas… mas não vou estender-me digressões: esse texto é pra falar de uma preta em particular…

Erykah Badu, ladies and gentlemen!

Erykah Badu, ladies and gentlemen!

Uma cujo último disco acabei de comprar e de adotar desde já como mais recente vício. Acompanho Erykah Badu desde Baduizm, primeiro disco, em meados dos anos 90. Na época morava em São Paulo e começava – tardiamente, admito – a largar a barra da saia da boa e velha rock and roll mamma, para me arriscar em andanças musicais por aí. Aliás, obrigado ao André Doido por Hardcore Jollies do Funkadelic; e ao Thiago Antunes por Jorge Mautner 1974.

De Baduizm a New Amerykah Part 1– 4th World War, o álbum em questão, os arranjos foram ganhando mais texturas e complexidades – o que nem sempre é um elogio, mas que nesse caso sim –, e conseguindo explorar cada vez melhor as duas facetas da artista: a das referências do funk e do soul do passado, e a das experimentações que apontam o futuro do R&B americano.
Gravei uma fita (essa aí embaixo) que mostra bem o que disse. São 4 canções do New Amerykah:

-A faixa que abre o disco, Amerykahn Promise, um funkão clássico setentão, com linha de baixo hipnótica, marcações de naipe de metais, vozes distorcidas e discurso engajado;
-A faixa que encerra o disco, Honey – que começa com 50 segundos de vinheta tirada da música anterior, então não estranhem –, também um funk, mas puxando para os anos 80, com mais sintetizadores, melodia açucarada que gruda de primeira;
-A faixa 9, That Hump, que define, de certa forma, o soul de qualidade produzido atualmente dos Estados Unidos, arrastado, sexy, classudo;
-A faixa 5, Soldier, que mostra claramente a influência do Rap nesse novo R&B, não nos vocais, mas na estrutura da canção, com um instrumental aparentemente em loop, bateria com pouquíssima – ou nenhuma – variação, e alguns efeitos sonoros aqui e ali.
Bom proveito…

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Sempre gostei de gravar fitas para amigos – sim, ainda peguei muito tempo dos vinis e das fitas K7 –, coletâneas cuja seleção de músicas não seguiam um critério definido de estilo ou data, mas apenas um, digamos, itinerário emotivo.
Aproveitando as festas de fim de ano, portanto, está aí, para quem quiser ouvir, Coletânea Olho de Quem (Vol.1 – Internacional):

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Playlist comentado:
Começando com as chicletes do ano (não necessariamente lançadas este ano, as que grudaram este ano, se preferirem)

1. Iron & Wine – Carousel
2. Copeland – Should You Return
3. Feist – Mushaboom (tentem não sair assobiando)
4. Ben Kweller – I Gotta Move

Vamos começar a esquentar um pouco. Primeiro, Supergrass, uma das bandas inglesas mais legais dos anos 90, mostrando que sem pretensão às vezes se vai mais longe. Depois Sonic Youth, minha banda favorita de todos os tempos. Acho que só não passei mais tempo de minha adolescência  ouvindo a Sugar Kane do que me masturbando. Finalmente, Modest Mouse, com Dramamine.

5. Supergrass – Brecon Beacons
6. Sonic Youth – Sugar Kane
7. Modest Mouse – Dramamine

Momento comédia, pra lembrar Beavis & Butthead

8. Ween – Push Th‘ Little Daisies

A seguir, duas das melhores bandas da atualidade…

9. Broken Social Scene – Our Faces Split The Coast In Half
10. Interpol – Narc

Continuando, dois grandes grupos de RAP que se guiam por conceitos diametralmente opostos dentro do estilo. The Roots, um grupo que “toca” a música com instrumentos convencionais; e People Under The Stairs, grupo purista, que segue a fórmula DJ e MC, usando nada mais que samples feitos manualmente pelo DJ, sem uso de computador, efeitos digitais ou instrumentos quaisquer. É interessante ver que dentro do RAP, purismo signifique NÃO utilizar instrumentos musicais.

11. The Roots – Rising Up
12. People Under The Stairs – Suite For Beaver

Next. Portishead, de volta (finalmente) depois de nem sei quanto tempo. Continua inigualável no tom soturno.

13. Portishead – Plastic

Agora Black Keys, dupla que faz blues. Simples, direto… melhor impossível.

14.  Black Keys – Lies

Para finalizar, um bloco mais pesado. Duas da The Sounds Of Animal Fighting, que conheci há pouco tempo. Depois uma do primeiro disco da The Mars Volta, influência direta da banda anterior; em seguida a melancólica Thrice, e para finalizar, Mastodon.

15. The Sound Of Animals Fighting – You Dont Need A Witness
16. The Sound Of Animals Fighting – All Is Ash Or The Light Shining Through It
17. The Mars Volta – Ineartic ESP
18. Thrice – Hoods On Peregrine
19. Mastodon – Seabeast

ps.: para baixar o disco (todos os .mp3 estão a 96kbps apenas, pra facilitar pra quem está ouvindo em streaming) em arquivo .zip clique aqui.

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