Se estou errado, que me corrijam, mas ainda não vi nenhuma matéria nos jornais da cidade sobre como os casos de gripe suína estão sendo tratados por aqui, digo uma matéria geral sobre política pública para a saúde, não aquelas factuais de que fulano morreu, ou de que mais um caso suspeito está em acompanhamento, etc.
Acho que o problema está no fato de que não há uma política pública de verdade voltada para isso, nem na esfera federal, quanto mais na estadual. Há um remédio que o Governo estatizou, uma idéia de se evitar salas de aula, mas não um shopping center, propaganda sobre como lavar as mãos corretamente, campanha explicativa de como números absolutos de morte são bem diferentes de números relativos de morte e uma das coisas mais esdrúxulas que já vi no combate a uma doença: a proibição de veicular publicidade de analgésicos e antitérmicos, como forma de impedir a automedicação e, consequentemente, a camuflagem dos sintomas.
Vamos analisar o embuste dessa última medida calmamente:
1. O problema real da automedicação está na venda do remédio, não na compra. Se a farmácia pode vender, não será a ausência de propaganda que me impedirá de comprar;
2. Analgésicos são os grandes campeões da automedicação. Desde os dez ou onze anos de idade, toda pessoa sabe qual remédio pra dor de cabeça e febre é o melhor para si. Antes disso, há pais, mães, amigos e parentes pra opinar. Então, sinceramente, proibir propaganda vai adiantar de quê? Será que se eu sentir uma dor de cabeça e não houver um anúncio de dipirona por perto, vou correr para o médico?
3. E – vamos seguir essa linha absurda de pensamento – se eu correr para o médico mesmo, numa unidade pública de saúde? Hein? Aqui em Manaus, vão aplicar dipirona e dizer que não fazem o exame “dessa gripe aí”, como aconteceu com a senhora que trabalha aqui em casa. E olha ela foi lá onde o Tamiflu está hospedado.
Em suma, a política de saúde contra a H1N1 é: se você tiver sintomas de gripe, lave bem as mãos e não tome remédio: vá a um hospital, confirme apenas a dúvida e volte para casa com uma boa dose de dipirona na veia. O máximo que pode acontecer é a morte… mas isso todo mundo sabe que é um número bem relativo.
Tags: gripe suína, políticas públicas, tamiflu


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