Faz um tempinho que o pecado da preguiça pertence à seara da ética capitalista, e significa gostar de ficar em casa coçando as partes em vez de sair às ruas e produzir algo. Mas nem sempre as coisas foram simples assim: houve um tempo em que ser preguiçoso pertencia às grandezas – na verdade fraquezas – transcendentais.
Preguiça é o torpor que nos acomete quando um bem passa a ser-nos imprescindível no momento em que se torna também intangível. Abre-se um abismo entre nós e a coisa desejada, e essa impossibilidade entorpece porque nos ocupa integralmente de uma obsessão que não cessa e que impõe, fantasia após fantasia, um estado de tristeza desesperadora e de retração.
Assim como a medicina banaliza – ou esvazia – uma doença; a linguagem, vez por outra, também o faz com as palavras.


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