October 2009

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O Olho de Quem acaba de lançar uma grande campanha de utilidade privada:

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Fale Umas Verdades e seja processado pelo Fenômeno Xavier

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Fenômeno Xavier não existe, mas ainda assim é uma piada. E como todo personagem inventado que vira uma piada, tem o ego imenso e faz faculdade de direito.

Fenômeno Xavier jamais disse uma palavra, mas gosta dos chavões anacrônicos de autos processuais, que exibirá como vocabulário, orgulhoso, no dia em que finalmente chegar a esse mundo por meio de novas tecnologias cosmogônicas ou de um rabo de cometa.

Fenômeno Xavier, rábula barrigudo, caminha sobre o bulbo de um microfone de lá pra cá, daqui pra ali, em seu universo sozinho, aquele seu planeta de lá, onde ele é grande e o mundo é pequeno.

Fenômeno Xavier não existe. Mas diz a lenda que se mencionares o nome dele cinco vezes diante da tela de um computador com conexão à Internet, ele aparece e te processa.

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Num voo com 150 passageiros, na era do politicamente correto, não é exagero dizer que por volta de 100 pessoas podem exigir atendimento preferencial. Entre gente com problema de locomoção, velhos, operados, gestantes e pais com crianças de colo, não sobra muito espaço para essa pobre minoria relegada dos adultos com idade entre 18 e 50 que andam sozinhos e com desenvoltura, às vezes até mascando um chiclete com invejável displicência .

Os guichês de check-in da TAM, no Eduardo Gomes, são um ótimo exemplo disso. São sempre dois atendentes para dois voos com horários próximos. Se considerarmos que o procedimento de checar documentos e despachar bagagens leva quase 10 minutos, é razoável pensar que isso é tempo suficiente para o surgimento de pelo menos mais duas pessoas com atendimento preferencial garantido por lei. Mas isso não é tudo: normalmente os preferenciais andam em bandos, acompanhados por familiares e/ou amigos, que por sua vez também ganham o direito ao atendimento rápido por extensão de benefícios. O resultado é uma grande vingança contra os mascadores displicentes de chiclete: vocês podem andar sozinhos e com desenvoltura, mas suas filas jamais sairão do lugar.

Viajei um tanto desde Outubro, por conta de uns projetos, e pude presenciar alguns fatos inusitados nessas filas de check-in, mas o que mais me chamou a atenção foi uma briga exatamente na fila de atendimento preferencial. Esses tempos modernos sem Os Trapalhões na televisão geraram um inchaço insustentável das grandes conquistas sociais, o que desembocou num outro tipo de problema. Antes a pergunta era “quem tem preferência”. Hoje, como quase todos têm preferência, a pergunta é “quem tem mais preferência”.

Num dado momento, o primeiro da fila de atendimento preferencial era apenas um velho comum, apenas meio careca e meio trêmulo, ansioso por sua vez após o longo check-in da extensa comitiva da mãe, tias e primos de um garotinho com graves deformações nos membros inferiores e um óculos fora de moda no rosto. Antes que ele pudesse chegar ao guichê, entretanto, uma senhora avançou pelo lado com mais cara de sofrimento e ganhou a vez, sensibilizando o funcionário da TAM. O velho comum, visivelmente irritado – porque começou a tremer mais –, foi tomar satisfações com a velha comum, afinal de contas ele estava há mais tempo na fila – e talvez até mesmo há mais tempo nesse mundo. Não teve jeito: como ambos eram apenas velhos comuns, esse critério de preferência zerou o jogo, e o desempate veio com a recente cirurgia num dos seios da senhora, que lhe garantiu a vez.

Fiquei pensando que talvez surgisse uma outra velha comum também com uma recente cirurgia num dos seios, e que o desempate estaria, então, na função da cirurgia: a extirpação de um tumor benigno, por exemplo, teria preferência diante de uma implantação de silicone; mas perderia para a retirada total de um seio vítima de câncer.

Cada tempo tem as dúvidas que merece.

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Um modo de ver as coisas é dizer que o governo Lula, com um impulso do de FHC, tirou um monte de gente da situação de miséria no País.

Outro, é dizer que ele criou a maior e mais burra classe média de todos os tempos.

Em termos bem resumidos, Lula tirou o público do programa do Sabino Castelo Branco, por exemplo, e migrou-o para o de Ronaldo Tiradentes.

Esse povo continua sendo feito de trouxa, o que mudou foi que agora, em vez de pegar o ônibus para a emissora de TV para reclamar da falta de água, ele apenas manda um e-mail para o apresentador.

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Não gosto dos artistas de rua que invadiram Manaus há um tempo, do circo mambembe aceso no semáforo, da cara de palhaço que não é trágico: apenas chato. Os equilibristas de olhos verdes, pele morena e dread locks exibem a mesma criatividade que antes ficava exposta apenas nas bijuterias na praça, na praia, na festa de reggae. São todas iguais, todas made in china, exatamente como todos esses libertários andarilhos, que não importa de onde venham, são todos peruanos.

Quantas vezes se pode ver o mesmo número das três ou quatro bolas revezando-se em duas mãos, ou cones, ou tochas acesas? Vejo de quatro a seis sessões por dia. Às vezes venço meu fascismo e acabo pagando. Acho que por conta da Copa do Mundo, Robério Braga deveria organizar melhor tudo isso, abrir editais para o que chamaríamos de “Espetáculos de Semáforo – um sinal verde para a arte”, esquetes de 30 segundos tendo como mote releituras do movimento hippie numa perspectiva da arte na era da reprodutibilidade estéril.

Os grupos de teatro da cidade teriam mais esse espaço para seguirem anônimos, e os hippies voltariam às festas que não frequento mais.

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Ismael foi para o PSB e isso irritou muita gente. Por quê?

Há uma ideia muito distorcida de que o conceito de opinião está ligado, impreterivelmente, a uma espécie de fisiologismo entre veículos de comunicação e partidos políticos. Nesse caso, o blogueiro Ismael seria incompatível com o filiado ao PSB porque sua opinião estaria sempre comprometida com a ideologia do partido.

Isso é uma besteira sem tamanho, e só pode ser imaginável num mundo de valores tão distorcidos quanto o que vivemos. Por partes: (1) toda e qualquer afirmação é ideológica (no mínimo do mínimo do mínimo, é escolher o que dizer, quando dizer e a quem dizer, o que já representa, em si, três juízos de valor). Dito isso, temos que (2) a imparcialidade é impossível, e que todo conhecimento – e toda informação, por consequência – advém de um interesse por esse conhecimento (tanto do emissor quanto do receptor). Qualquer meio de comunicação que se diz imparcial, na verdade, está fazendo uma opção ideológica – e, ao meu ver, irresponsável – de se eximir da crítica social de que teria o dever de fazer, em prol da boa vizinhança com os anunciantes. O problema é que as pessoas crêem – por culpa desses mesmos veículos – que a matéria opinativa é desleal com o leitor (que deveria tirar suas próprias conclusões a partir dos – muito sobrestimados – fatos) e incentivam essa atitude dos meios, por causa da distorção de valores a que me referi anteriormente, de que uma opinião mascara um fato. Liberdade de informação não existe; o que a informação precisa para ser de qualidade é de RESPONSABILIDADE, e isso, dentro ou fora de qualquer partido ou instância, acredito que Ismael o tenha.

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1. Uma pessoa qualquer resolve viajar para um lugar onde jamais esteve. Vai a uma agência de viagens reconhecida e fecha um pacote com passagens, hotel e alguns passeios incluídos. Os agentes da empresa são preparados para isso, especializam-se num determinado tipo de cliente, gente com boa condição financeira, e abrem-se a variações de estilo que catalogam em subgêneros: aventureiros, clássicos, sofisticados, curiosos, etc. Tudo para oferecer o melhor serviço dadas as expectativas do cliente.

O primeiro contato dessa pessoa qualquer com esse lugar distante é por meio do discurso do agente, em quem ela confia por conta da experiência que ele aparenta ter, e por conta das opiniões seguras que ele oferece.

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2. Uma pessoa qualquer resolve ver o que aconteceu ontem na cidade em que sempre morou. Compra um jornal de uma rede de comunicação reconhecida e fecha uma espécie de contrato para um passeio pelas diversas esferas da cidade, por meio de cadernos segmentados. Os repórteres da empresa são preparados para isso, especializam-se em nivelar tudo por baixo, pois o jornal quer atender às expectativas tanto do indigente que vai apenas usá-lo como travesseiro do dia (nada contra o travesseiro do dia) quanto do professor doutor interessado nas relações de poder entre as classes sociais (nada contra as relações de poder entre as classes sociais).

O contato dessa pessoa qualquer com essa cidade em que ela sempre morou ocorre, em grande parte, por meio do discurso do repórter, em quem ela deveria confiar por conta da experiência, ou da coragem, que ela espera que ele tenha e por conta das opiniões seguras que ele deveria oferecer.

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me meti a besta de fazer uma tradução e caí logo num conto sem pé nem cabeça porque não é conto, nem poema e quer ser toda a literatura. Pé frio, cabeça quente, na primeira parte já me esfolei. Segue Igitur ou La Folie d‘Elbehnon, de Mallarmé:

IGITUR

Igitur. Resíduo

A Loucura de Elbehnon

Estudo Antigo

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Ig.

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Quando os sopros de seus ancestrais querem soprar a vela, (graças a quem talvez ainda subsistam os Símbolos do livro de magia) – ele diz “Ainda não!”

Ele mesmo, no fim, quando os barulhos terão cessado, colherá um sinal de algo grande (nada de astros? O acaso anulado?) do simples fato de poder provocar a sombra soprando sobre a luz –

Depois – como ele terá falado de acordo com o absoluto – que nega a imortalidade, o absoluto haverá lá fora – lua pairada sobre o tempo: e ele erguerá as cortinas, no lado oposto.

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Ig. ainda jovem, lê seu dever aos ancestrais.

1-2

[1] 4 Pedaços

1 – A Meia Noite

2 – A Escada

3 – O lance de dados

4 – O descanso sobre as cinzas, soprada a vela.

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Segue-se mais ou menos assim:

Soa a Meia Noite – a Meia Noite onde devem ser lançados os dados. Ig. desce as escadas, do juízo humano vai ao fundo das coisas: absoluto que é. Túmulos – cinzas, (nem sentimento, nem senso) neutralidade. Ele recita a predição e faz o gesto. Indiferença. Silvos na escada. “Errastes” nenhuma emoção. O infinito salta do acaso, que vós negáreis. Vós, matemáticos expirados – eu projetado absoluto. Eu deveria finar Infinito. Simplesmente palavra e gesto. Quanto ao que vos digo, para explicar minha vida. Nada sobrará de vós – O Infinito enfim livre da família que dele sofreu – espaço velho – nenhum [2] acaso. Ela teve razão em negar-lhe, – vida – para que ele tivesse sido o absoluto. Isso deveria acontecer nas combinações do Infinito face à face com o Absoluto. Necessário – extrair a Idéia. Loucura útil. Um dos atos do universo foi cometido aí. Nada mais, restava o sopro, fim de palavra e gesto unos – sopre a vela do ser, por quem tudo sido. Sinal.

(Investigar tudo isso)