May 2009

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Muito parecidas as estratégias de defesa dos Souza Bob Pai e o Bob Filho: o sentimentalismo exagerado e barato por um lado; e, por outro, a sutileza com que se acusam indiretamente como forma de tirarem o “seu” da reta.

Um grita “pai” e “mãe” de dentro da cela, um pobre menino indefeso que nunca se meteu em confusão, de acordo com a mãe, pelo menos durante todo o tempo que viveu com ela. Se ele, porventura, andou pelos subterrâneos da politicagem e do crime, tudo aconteceu nos últimos quatro anos, depois que ele foi morar com o pai. De qualquer forma, foi sua ingenuidade de menino que o trouxe até essa situação.

O outro dá entrevista, mas se irrita com qualquer pergunta porque não sabe de nada, não foi informado sobre nada, um pobre deputado indefeso. A relação das munições encontradas na sua casa e com outros suspeitos é a mesma do bilhete (encontrado na pasta do deputado). “Tem certos assuntos, vocês sabem, que eu não sei, porque eu não tive conhecimento dos inquéritos”. O senhor tem como explicar a origem (dos 250 mil reais e não me lembro quantos mil dólares encontrados no cofre em sua casa)? “Também não sei. Não fui comunicado disso”.

A única coisa que o deputado sabe, pelo visto, é que vai se candidatar de novo: “eu disse que vou dar o troco com votos, como sempre dei na minha vida pública. E é dessa forma que, se Deus quiser, vou representar de novo”. Sobre o filho, entretanto, o estilo do discurso muda: “se cometeu qualquer erro, ele vai pagar pelo erro dele”.

Pobre família indefesa…

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Lover´s Spit – Broken Social Scene

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Quem de nós dois não existe?

Nos encontramos pela primeira vez quando o sinal se fechou em frente ao Vesuvio. Havia um sol longe à esquerda, pondo-se ao fim da avenida, desenhando folhagens trêmulas sobre meus pés. De teu rosto longo, a sombra me abrangia pescoço, bochecha, às vezes um olho, acaso me inclinasse ligeiramente por qualquer motivo.

Pois foi quando tudo se alongou no fim da tarde, que me encontraste pela primeira vez, exatamente como a sombra inquieta daquelas folhas e o vento que jamais toquei, cujo hálito apenas posso adivinhá-lo gelado de corredores de pedra, pesado de uma chuva próxima. Atravessamos a rua lado a lado, distorcidos por acidentes de asfalto, por rachaduras no concreto; débeis ao menor sinal de ocaso. Pra que lado vais agora? Há uma imensa nuvem em forma de navio perto de Mabillon.

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COTAS E LOROTAS
Ubirataran Iorio
20/05/2009

Nestes dias em que nossos congressistas estão para votar o chamado “Estatuto da Igualdade Racial”, que deveria ser denominado de Estatuto da Desigualdade Instituída, reproduzo o artigo que publiquei no Jornal do Brasil em 9/7/2007:

“Há poucos dias, a Suprema Corte dos Estados Unidos, em decisão apertada – cinco votos contra quatro – desferiu um golpe letal no denominado princípio de ação afirmativa, ao decidir pela inconstitucionalidade do sistema de cotas étnicas em dois distritos: Seattle, no estado de Washington e Louisville, em Kentuky. Tal decisão deverá firmar jurisprudência, dando margem a ações judiciais contra as cotas, o que poderá pôr fim a essa prática. Entrementes, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o sistema de cotas acaba de ser aprovado…

Ações afirmativas são políticas que têm o objetivo de garantir o acesso à educação ou a empregos a grupos “historicamente não dominantes”, como as chamadas minorias – mulheres, homossexuais, negros e índios -, por meio de tratamentos preferenciais que os beneficiem, dos quais a imposição de cotas é um exemplo.

À época em que ocupava o cargo de diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, vi com preocupação o governo estadual impor, pela primeira vez no Brasil, cotas nos vestibulares da universidade, para candidatos afrodescendentes (dos quais a maioria – os mulatos – também são eurodescendentes!) e para os originários de escolas públicas. Meu ceticismo era motivado por diversas razões: não há constituição em qualquer sociedade que se preze que não abrace o princípio da igualdade perante a lei; reprimindo pessoas qualificadas em favor de pessoas não qualificadas, fere-se a meritocracia; trata-se de uma forma aberta de discriminação; é uma prática do coletivismo; ao gerar ressentimentos contra os beneficiados, incita ao racismo; sob o ponto de vista da economia, as cotas são claramente contra-produtivas; contribuem para piorar a já tão enfraquecida qualidade acadêmica; tenta-se combater injustiças “históricas” mediante novas injustiças e enfrentar discriminação com mais discriminação – olho por olho e dente por dente.

Apenas com a melhoria da educação básica – e não usando critérios de raça (sempre discutíveis), etnia ou sexo – é que seremos uma sociedade com mais igualdade de oportunidades! Isto é de uma clareza tão visível que é difícil acreditar existirem pessoas que não pensem assim! A luta deve ser por maior igualdade de oportunidades, ou seja, para que todos os cidadãos, indistintamente, tenham acessos semelhantes aos benefícios e que, mediante o esforço e a capacidade de cada um, possam deles usufruir. Não será lançando uns contra outros que construiremos uma grande nação!

O argumento de que as políticas afirmativas reparam “injustiças históricas” pode até ser bem intencionado, mas é uma bazófia que padece de impressionante falta de praticidade: muitos povos, historicamente, sofreram injustiças com guerras e outros flagelos, mas como consertá-las de forma “justa”? Babilônicos, assírios, sumérios, caldeus, amoritas, acádios, godos, visigodos, medos, celtas, samaritanos, cartagineses, etruscos, índios, negros, asiáticos, coríntios, efésios, hebreus e tantos outros… Se, por exemplo, algum remoto descendente de um cidadão da Esparta do general Leônidas fosse descoberto, seria “justo” obrigar um também longínquo descendente do exército de Xerxes da Pérsia a indenizá-lo por aquela injustiça “histórica”? Seria “justo” entregar a Alemanha para os judeus de hoje, a título de reparar os crimes hediondos de que seus pais, avós e bisavós foram vítimas? É “justo” contemplar descendentes de escravos negros com cotas, em detrimento de tataranetos de senhores de engenho, que nem conheceram? Quantas tribos foram massacradas por outras tribos, ainda na África? E quantos brancos, hoje, não serão descendentes distantes de escravos dos romanos ou atenienses, por exemplo?

Boas intenções, apenas, não bastam. Não se corrigem velhos erros com erros novos. A ação realmente afirmativa de que carece o país é uma boa educação para todos, sem qualquer distinção, e que premie o mérito. Basta de cotas e de lorotas!”

Se deixarmos o racismo invadir o Brasil, dividindo-o e agredindo a formação de nosso povo, vai ser muito difícil extirpá-lo mais tarde!

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Eles vão querer de tudo do que provei. É desse mar, minha última ressaca.

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Na rádio CBN Iranduba, um pouco mais cedo, Ronaldo Tiradentes dá uma volta e quase… quase… para no mesmo lugar:

Sobre a confusão do transporte coletivo, ele disse que o problema é antigo, vem de antes do atual prefeito Amazonino, vem de antes também do Serafim, até mesmo de antes do Alfredo Nascimento, vem desde… desde… aí ele parou. Antes… seria Amazonino de novo (e seu vice, imperador Eduardo Braga, que assumiu no meio do mandato).

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Bastante previsível – e cansativo, irritante –, o rumo que está tomando o caso da agressão sofrida pelo professor doutor Gilson Monteiro, da Ufam, pelo irmão do vice-governador.

É claro que Omar Aziz encerraria o assunto do irmão, simplesmente dizendo que Amim errou, exagerou, e que deve pagar por isso. Ponto parágrafo. Próximo assunto: sou inocente da acusação de pedofilia e vou processar o professor por ter dito o contrário. Pouco importa se os comentários de Gilson Monteiro, ao que tudo indica, foram relativos à influência política a que os jornais que noticiaram – ou não – o fato, na época, foram submetidos – o que era o tema da aula. A partir de agora, o professor o acusou de pedofilia e pronto. É somente sobre isso que o vice fala daqui por diante.

Bem, na Assembleia que tem orgulho de ser amazonense, a conversa não seria diferente: o problema da família Aziz é ser passional demais, um foi acusado injustamente, o outro foi lá resolver tudo no braço. É justo, é muito justo, é justíssimo. O mais engraçado foi o deputado Ricardo Nicolau (PR), que disse que o professor poderia ter “300 outros fatos jornalísticos” para usar em sua aula, e que portanto não deveria ter escolhido aquele. É triste ver um deputado garantindo mais 299 casos de intervenções políticas em jornais da cidade…

No outro mundo paralelo, o dos meios de comunicação, a história que sai é a do melhor anunciante: Gilson de um lado; Omar de outro. Não precisamos desenhar. O professor Gilson falando sobre a agressão, vimos uma vez, no dia em que tudo aconteceu. O vice-governador, por outro lado, falando que é inocente da acusação de pedofilia, com a esposa sentada ao lado, pedindo que o professor apresente provas contra ele, bradando processos, vemos em todos os telejornais desde então.

Também acho irresponsável a matéria de A Crítica em que os deputados defendem Omar Aziz. O editor(a) poderá dizer que se trata de um texto objetivo, fiel aos fatos porque reproduziu exatamente o que aconteceu na sessão da Assembleia, e que o leitor é que deve formar sua opinião, concordar ou não com os deputados. Sim, ele(a) terá razão; e é por isso mesmo que jornalista não precisa de diploma. Para copiar BO de delegacia e Ata de assembleia, basta o certificado do fundamental.

Enquanto isso, avisa lá que dá tempo pra mais uma partidinha de dominó.

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Kutiman

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=tprMEs-zfQA&hl=en&fs=1]

Conheci por meio do churrasco na laje.

Kutiman é o nome do camarada, DJ que cria músicas/clipes somente a partir dos sons/imagens que pega no YouTube. Acho o projeto muito interessante: não é música só para ouvir, o som e a imagem são indissociáveis.

Aqui está o site do projeto.

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Eu já tinha falado aqui como o Omar Aziz e sua família gostam de tratar os meros mortais na cidade. Agora acabo de me deparar com o mais recente caso da família real pela revista O Avesso. Segue o texto na íntegra:

O relato a seguir é de um professor de uma universidade federal, a UFAM, que hoje, 11 de maio de 2009, pediu para não ter seu nome revelado, com medo de represálias.

O fato abaixo apresentado dificilmente será publicado nos jornais locais. O motivo? Você entenderá quando concluir a leitura desta postagem. Por enquanto, vale a máxima dos poderosos: o que o dinheiro não compra?

Revolta e indignação parecem não comportar os sentimentos que me invadiram ao final da tarde de hoje, quando recebi a informação que o professor Gilson Monteiro foi agredido em sala de aula.

Em decorrência da disciplina Tópicos Especiais em Jornalismo, o professor discutia com os alunos do primeiro período do curso e do Mestrado em Ciências da Comunicação, a atuação dos jornalistas, código de ética, qualidade no ensino, entre outros tópicos, como exige a ementa da disciplina.

Os assuntos em discussão trouxeram à baila questões como o cerceamento da liberdade de expressão jornalística por força do poder econômico e político. Em meio aos vários exemplos apresentados, o caso Omar Aziz foi desengavetado e caiu como uma luva para ilustrar o assunto em pauta. Melhor impossível!

De repente, uma aluna se levantou e disse que não assistiria mais àquela discussão, que a questão não era exatamente como estava sendo discutida e se retirou da sala. Até aí, tudo bem. O espaço democrático que caracteriza a Universidade permite a todos a livre expressão de opiniões, crenças e preferências político-partidárias.

O professor, apanhado de surpresa pela manifestação enfática da aluna, foi esclarecido pelos demais quanto à relação de parentesco da aluna com o “caso usado como exemplo”: a mesma é sobrinha daquele.

Quarenta minutos depois, mais uma surpresa que estarreceu não apenas o professor, mas também os alunos que presenciaram o acontecimento. A aluna retornou ao local, acompanhada do pai e de um tio. Este último perguntou ao docente se ele era professor da sua sobrinha e, ato contínuo, agrediu fisicamente o professor Gilson Monteiro. À turma, que presenciava o fato, foi dirigido um “metafórico”, mas enfático gesto de ameaça. O tio da aluna, como se estivesse empunhando um revólver e disparando, disse que a mesma era da sua família e que ninguém “mexesse com ela”. Como convém aos covardes, que agem em duplas, trios, galeras ou quadrilhas, a família se retirou do local à sombra da impunidade que justifica os abusos de poder ainda cometidos na sociedade atual.

Danos morais, constrangimento e agressão de funcionário público no exercício de suas funções são as infrações que me ocorrem neste momento, mas cabe resgatar a pergunta: o que o dinheiro não compra?

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A tradicional sorveteria francesa La Petite Vache anunciou sua nova linha gourmet de picolés para o verão europeu. A novidade fica por conta da elaboração de melhores palitos de madeira para harmonizar com os sabores exclusivos da casa e atender às expectativas de seus exigentes clientes.

O picolé cremoso de macadâmia com pedaços de mirtilo, por exemplo, virá sustentado por uma mistura prensada de pinho (65%) e de cerejeira (35%). O de lima da pérsia com mel de larajeira, por sua vez, vem com palito de bordo canadense.

Quem quiser fazer sua própria “harmonização” – e pagar um pouco mais caro por isso – também pode encomendar seus experimentos diretamente numa das cinco lojas da casa (três em Paris, uma em Nice e outra em Toulouse). Você escolhe o sabor e o palito, e recebe a encomenda três dias depois.

O preço normal do picolé é de €5,50/un. Quem quiser escolher palito diferente, paga €6,50.

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Gosto de ver estudantes brigando por seus direitos, desafiando autoridades, fechando ruas, e por aí vai. São inconvenientes necessários à construção de uma sociedade melhor.

Minha opinião sobre o número de meias-passagens para eles, entretanto, não é muito popular: acho 120/mês, um número alto. ACHO: não vi as contas.

Dizer isso não significa pensar que estudantes não precisem de quatro viagens por dia para construir sua formação; até onde sei, podem precisar de muito mais – e de muito mais descontos.

O problema é que eles não são os únicos a entrar na conta: a saúde financeira dos malignos empresários capitalistas, bem como a renda de todos os seus bons e pobres funcionários, também entram na jogada; o preço da passagem para o resto dos usuários do transporte público também; o papel da esfera pública, com eventuais subsídios e isenções que podem pesar na receita, também; a situação dos transportes alternativos – e ilegais – também; e por aí vai.

Temos que ver essa conta direito. Sem maquiagem. Sem estereótipos de esquerda.

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