Saiu no Le Monde há duas semanas: na França, há 37 mil carteiras de jornalistas, e algo entre 60 e 70 mil blogs. A discussão está séria por lá, pois se por um lado, é inegável a influência dos “jornalistas cidadãos” – como são às vezes chamados os blogueiros –, principalmente entre os jovens; também é fato que esses “jornalistas de pijama” – como são por outras vezes chamados os mesmos blogueiros – não obedecem aos preceitos da profissão no tratamento com as fontes e os fatos.
Para se ter uma idéia, para o recente encontro entre Sarkozy e Obama, foram cadastradas algumas dezenas de blogueiros. “O critério base continua a ser a carteira de jornalista, mas eu sou por abrir nossas portas aos blogueiros mais influentes, aos que possuem uma legitimidade em sua área de atuação, e cujos blogs são muito frequentados”, resumiu Franck Louvrier, assessor de comunicação da presidência.
A posição oficial da Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, obviamente, é a de que a idéia de todos poderem ser jornalistas acaba por desvalorizar a profissão, e ignorar o fato de que a boa informação exige um custo. Do outro lado, estão os blogueiros, que nem se consideram – tampouco querem se identificar com – jornalistas, e cuja prática possui, via de regra, uma crítica implícita ao jornalismo.
“O espaço público digital faz o papel de complemento, e é bastante lógico que ele seja de reação ou de correção. Eu mesmo não possuo uma abordagem profissional da informação, tenho minha própria hierarquização. O blog é um prazer, uma atividade anexa à minha vida”, nas palavras de Nicolas Vanbremeersh, que manteve seu blog político entre 2003 e 2008.
Bem, não adianta dar murro em ponta de faca. Exigir diploma de jornalista para blogueiro é ignorar completamente o conceito e as possibilidades da Internet.Complementando as palavras de Vanbremeersh, acho que os blogs preenchem as lacunas do jornalismo, que ainda não encontrou uma maneira economicamente viável de se inserir no meio digital, um espaço avesso por princípio à cobrança.
obs.: escrito com base na reportagem “Les blogs: info ou influence?”, página 3 do Le Monde – Sélection Hebdomadaire, de 14 de março, 2009.




