A imprensa sempre trabalha com um mundo a cada dia. Essa é a grande arma dos pixels, bites e de todos os sistemas de 0 e 1 que compõem esse mundo hiper-real que nos guia e que nos alimenta o repertório. Num piscar de olhos, tudo se rearranja, se ressignifica. É tudo novo, mas estranhamente confortável.
A única coisa que permanece por trás desses espasmos diários entre um mundo e outro é a insistente e intransponível gana pelo poder, seja econômico, seja político – se é que existe uma separação. Parece que não houve toda aquela discussão sobre o turno intermediário das escolas municipais, o “turno da fome” nas palavras e propagandas do atual prefeito. Durante a campanha, por várias vezes, Amazonino garantiu que exterminaria o referido turno imediatamente, e que colocaria, se necessário, o excedente de alunos em escolas particulares.
Eis que chegando em casa, ouvindo a líder de audiência sobre quatro rodas CBN Manaus, me deparo com a secretária municipal de educação, Terezinha Ruiz, dizendo que o ano letivo vai começar mantendo o turno da fome, e que ela está tentando de tudo para remanejar MENOS DA METADE dos alunos matriculados nesse turno, entre escolas da prefeitura e do estado durante os primeiros 2 MESES DE AULA.
Não ouvi comentário algum dos jornalistas da rádio, ninguém contextualiza nada… parece, então, que a notícia é ótima: Amazonino está se esforçando para resolver esse problema novo que ele acabou de descobrir ao assumir a administração, exatamente com o rombo de centenas de milhões nos cofres municipais que sua equipe de transição não percebera, ou como a chuva que – quem diria! – dificulta o trabalho de tapar buraco no asfalto.
Nada como um dia, e um dia apenas.


