December 2008

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Mulherzinha… mãe de duas, órfã de si. Seu barraco prestes a desabar levando a meia dúzia de coisas que reunira durante toda uma vida despercebida. Sua geladeira, seu fogão, suas canecas de alumínio fosco, sua foto com o Sabino. Tudo será coberto pela lama… do pó ao pó, depois que a chuva toma posse, depois que a chuva evapora. O pó.

Essa vida despercebida como a de toda gente que não existe só, que não tem bordas entre uma e outra, transbordando de ônibus, cortiços, procissões, zonas eleitorais. Ali, ninguém. Ninguém, essa mulherzinha. Ela vai aparecer na televisão reclamando do buraco em sua rua, da falta de luz, de segurança. Ali, e só ali, naquela breve janela que se abre entre uma propaganda de motel barato e um arremedo de promessa de representatividade política, ela vai aparecer. Aquela mulherzinha e seu futuro vereador.

Depois ela vai sumir.

Feliz.

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Sentir vergonha do próprio jornal onde se escreve é uma premissa da profissão de repórter em Manaus. Talvez quem trabalhe no Jornal do Comércio seja diferente, e só.

Quando leio o Em Tempo, nem tenho mais raiva de como abordam a atual administração municipal – veja bem, ter opinião é importante e, ao meu entender, essencial para exercer a profissão, mas isso jamais significará ser inescrupuloso no trato da informação –, agora, mais corporativista, direcionei minha raiva a como estão sendo tratados os pobres dos jornalistas que são obrigados a escrever entrevistas com personalidades com padrão Henrique Oliveira de argumentação.

Pelo menos ninguém é forçado a assinar as matérias publicadas.

Tenho pena de gente obrigada a escrever baboseira. Às vezes tenho pena de mim.

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A Felicidade Não se Compra

A Felicidade Não se Compra

Para resgatar a fé na humanidade, talvez nada seja tão eficiente quanto um filme de Frank Capra. Considerado um dos melhores diretores de cinema de todos os tempos, seus filmes sempre enterram os personagens em conflitos na esperança de que valores como a amizade e a solidariedade possam redimi-los – e isso sempre acontece, obviamente.

Quem não é familiar com a obra de Capra, com certeza conhece um de seus “seguidores” – e xará – Frank Darabont, diretor de filmes como Cine Majestic e À Espera de Um Milagre.

Bem, o fato é que um dos longas mais famosos de Frank Capra, A Felicidade Não Se Compra, vai passar hoje (21/12), às 20h (Manaus) e dia 23/12, às 17h35, no canal Telecine Cult; e no dia 24/12, às 20h, no Canal TCM.

Sinopse: O filme é um conto de Natal. George Bailey (James Stewart) é um homem que nunca quis seguir a carreira de banqueiro do seu pai. Ele queria sair por aí, para conhecer o mundo e seus segredos, um plano que sempre fora adiado por causa da necessidade de todos a seu redor. Atolado em dívidas graças a um outro banqueiro sem escrúpulos, Bailey estava prestes a se matar quando recebe uma ajudinha dos céus…

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Animações de um grande amigo de São Paulo, Guilherme Outsuka (GOM), que também fez o clipe do carroça que postei aqui.

Essa é a nova:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=COENPHCchF0&hl=en&fs=1]

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Animações de um grande amigo de São Paulo, Guilherme Outsuka (GOM), que também fez o clipe do carroça que postei aqui.

Essa foi a primeira:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=SjTlFQj40lo&hl=en&fs=1]

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A histórica revista Cahiers du Cinéma lançou um livro em que indica os 100 filmes que não podem faltar em nenhuma filmoteca que se preze. Como sempre, esse tipo de lista gera polêmica sobre o que entrou ou ficou de fora, mas de qualquer forma, trata-se da opinião de um veículo muito importante para a História da Sétima Arte. Basta lembrar que nosso brilhantemente arrogante Glauber Rocha só fazia filme para a dita revista elogiá-lo. E podia, afinal de contas, o dinheiro era público e o filme não dependia de bilheteria. Infelizmente, nenhum de seus filmes, tão elogiados na época, entrou na lista.

Coloquei os 30 primeiros na lista abaixo, todos com links ou para trailers, ou para cenas famosas, ou para o próprio filme inteiro em streaming, dependendo da disponibilidade. Se alguém se interessar…

obs.: vi que o youtube ficaria em manutenção por algum tempo amanhã (19/12), então se os links não funcionarem, tentem em outro momento.

- Cidadão Kane (1941) (filme inteiro)

- O Mensageiro do Diabo (1955)

- A Regra do Jogo (1939)

- Aurora (1927)

- O Atalante (1934)

- M, o Vampiro de Dusseldorf (1931)

- Cantando na Chuva (1952) (filme inteiro)

- Um Corpo que Cai (1958)

- O Boulevard do Crime (1945)

- Rastro de Ódio (1956) (filme inteiro)

- Ouro e Maldição (1924) (filme inteiro)

- Rio Bravo – Onde Começa o Inferno (1959)

- Ser ou Não Ser (1942) (filme inteiro)

- Era uma Vez em Tóquio (1953)

- O Desprezo (1963)

- Contos da Lua Vaga (1953) (filme inteiro)

- Luzes da Cidade (1931) (filme inteiro)

- A General (1927)

- Nosferatu (1922) (filme inteiro)

- A Sala de Música (1958)

- Monstros (1932)

- Johnny Guitar (1954)

- A Mãe e a Puta (1973)

- O Grande Ditador (1940) (filme inteiro)

- O Leopardo (1963)

- Hiroshima, Meu Amor (1959)

- A Caixa de Pandora (1929)

- Intriga Internacional (1959)

- O Batedor de Carteiras (1959)

- Amores de Apache (1952)

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Bem, antes de mais nada…

HE-HE-HE!

É impressionante a falta de jogo de cintura do nosso governador para responder a uma pergunta que não comece com um elogio, como acontece em seus monólogos na CBN Manaus.

Visivelmente irritado, ao ser questionado sobre a falta de um básico REAGENTE para comprovar a apreensão de entorpecentes pela polícia, ele dizia: “nós estamos no AMAZONAS, aqui não é a SUÍÇA… não existe aquele negócio de que com um fiozinho de cabelo se descobre tudo”… e com aquele olhar passivo-agressivo, gesticulava incessantemente para apequenar ainda mais o tal do fiozinho de cabelo.

Esse pessoal do Império está tão desacostumado a qualquer tipo de oposição, que uma simples pergunta como essa já basta para que se perca a compostura. Dudu, O Espaçoso, fez de tudo para ridicularizar a situação, dizendo que aqui vivemos a REALIDADE, não a FICÇÃO a que alguns estão acostumados.

Ora, Dudu, de quem é a culpa dessa confusão? Numa propaganda, você vai resolver os problemas ecológicos com a ajuda do campeão das bilheterias Schwartzenegger; numa outra, todo mundo tem orgulho de ser amazonense, e do governo que faz e acontece.

Agora é pra cair na real?

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Recordo com saudade do melhor dia que passei durante meu tempo nO Estado do Amazonas. Por algum milagre, cheguei cedo à redação. Dulce Gusmão, minha editora, já estava lá. Éramos só nós dois para fazer o caderno de cultura, e todas as agências do mundo.

Apesar de ter sido um jornal praticamente não lido… ah! Quem estou tentando enganar!… Apesar de ter sido um jornal não lido, foi a melhor experiência que tive em redações. Foi onde pude entender, realmente, como deve trabalhar o editor de um caderno.

Primeiro, Dulce sabia muito sobre a produção artística em Manaus, da parte histórica à contemporânea. Segundo, brigava pelas pautas que achava importantes nas reuniões de editores. Terceiro, munia o repórter de informações e fornecia orientações sobre o que procurar. Quarto, se a matéria voltasse da rua com outros ganchos, não se importava, desde que os argumentos fossem bons.

Um exemplo de como um bom editor faz toda a diferença aconteceu numa das mostras da Federação de Teatro do Amazonas (FETAM), não me lembro a de que ano. A entidade mandou a programação do evento e um press release exaltando o fato de apresentar trinta e tantos espetáculos produzidos por grupos locais, etc.

Dulce deu uma olhada nessa programação e depois virou pra mim e disse que estava sentindo a falta de alguns grupos importantes da cidade, e que alguma coisa devia estar errada. Dito e feito, liguei para representantes dos grupos que ela indicou e descobrimos um racha político na entidade. Essa foi nossa matéria do dia seguinte. A dos outros cadernos de cultura foi o que tinha no release.

Bem… voltemos ao melhor dia nO Estado. Na época, Amazonino há muito havia abandonado a barca; e Garcia já não estava nem aí para o empreendimento. Cheguei cedo à redação, e Dulce estava lá, sentada sem fazer nada. Motivo? – e juro que isso não é brincadeira – Tudo estava cortado. Tudo não… nós ainda tínhamos eletricidade.

Não estou exagerando, mas os fotógrafos – que ainda usavam câmeras 35mm, estavam sem filme porque nem a Foto Nascimento, nem a Oliveira liberaram novos rolos por recorrente falta de pagamento. Pelo mesmo motivo, não estavam revelando os filmes que os fotógrafos já tinham utilizado;

Os carros do jornal estavam parados no pátio por falta de combustível, então as equipes de reportagem estavam presas na redação; não podiam usar o telefone do jornal porque o serviço estava cortado; os celulares corporativos dados aos editores só estavam recebendo chamadas; e a internet banda larga da Vivax estava fora do ar desde as 7h (e só voltaria lá pelas 15h).
Juro que não estou exagerando.

O que é mais legal de tudo isso é perceber como as redações são praticamente descartáveis. A edição produzida naquele dia saiu BASICAMENTE igual a de qualquer dia normal: cheia de releases, matérias de agência, fotos tiradas da Internet sem autorização (é só colocar “divulgação” no crédito), e de artigos e colunas produzidas fora dela.

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Considerações sobre a promoção de fim de ano da Livraria Valer (que vai de hoje ao dia 20, com descontos entre 40% e 90%):

-A exemplo dos anos anteriores, o evento vale mais a pena para o pessoal que quer comprar livros técnicos ou de interesse específico, como as várias áreas de direito, saúde, história, etc. Há pouquíssimos títulos em literatura brasileira e estrangeira na loja (com exceção das edições de bolso);

-Fui seco na coleção das obras de Ítalo Calvino editadas pela Companhia das Letras… nada! Na das obras completas de Borges, da mesma editora… nada! Na das obras de Clarice Lispector, acho que da Rocco… nada! Nova edição toda caprichada de Grande Sertão: Veredas… nada! Nova tradução de Os Irmãos Karamázov (não que tenha lido as anteriores), da Editora 34… nada! Todas essas edições mais caras, que com desconto de 50% seriam muito bem-vindas, estavam exiladas. Também procurei Frauta de Barro, de Luiz Bacelar, editado pela própria Valer… nada.

-Descontos de 50% não transformam livros em bagatelas, apenas em produtos com valores mais condizentes com a realidade. Por exemplo: livro de bolso entre R$ 15 e R$ 20… absurdo; entre R$ 7 e R$ 10… tranqüilo. As Etapas do Pensamento Sociológico, de Raymond Aron, a R$ 84… loucura! A R$ 42 é capaz de vender. Coleção Prosa do Mundo, com capa dura, da Cosac & Naify, com títulos entre R$ 55 e R$ 70, vai ficar em estoque; entre R$ 23 e R$ 35, são bons presentes. Símbolos do Amazonas, do excelentíssimo senhor Robério Braga, a R$ 15… não compre. Agora, a R$ 7… não compre.

-Quando livros são vendidos a preços mais condizentes com a realidade, a livraria se enche de clientes. Chega dessa história de que brasileiro não gosta de ler. Fiquei na Valer de 9h30 a 11h20, e a loja permaneceu cheia de gente o tempo todo, com a fila do caixa fazendo a volta olímpica. Mesmo quando se desconta o fato de que se trata de um evento bastante divulgado, que pela própria curiosidade gerada já atrai muita gente, é razoável pensar que o movimento nas livrarias seria muito mais consistente se esses preços fossem os praticados normalmente.

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No manual de instruções de minha tevê não havia menção alguma ao fato de que, no caso de chuviscos ou sangramento de cores, alguns socos de força média no canto esquerdo de sua plataforma superior poderiam, milagrosamente, fazer a imagem voltar ao normal.

Há sempre pelo menos duas esferas envolvidas em saber como as coisas – bem como todas as instituições – funcionam.

E entre a papelada da teoria e os bilhetinhos da prática, não sei onde deixei minha paciência.

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