política

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Ismael foi para o PSB e isso irritou muita gente. Por quê?

Há uma ideia muito distorcida de que o conceito de opinião está ligado, impreterivelmente, a uma espécie de fisiologismo entre veículos de comunicação e partidos políticos. Nesse caso, o blogueiro Ismael seria incompatível com o filiado ao PSB porque sua opinião estaria sempre comprometida com a ideologia do partido.

Isso é uma besteira sem tamanho, e só pode ser imaginável num mundo de valores tão distorcidos quanto o que vivemos. Por partes: (1) toda e qualquer afirmação é ideológica (no mínimo do mínimo do mínimo, é escolher o que dizer, quando dizer e a quem dizer, o que já representa, em si, três juízos de valor). Dito isso, temos que (2) a imparcialidade é impossível, e que todo conhecimento – e toda informação, por consequência – advém de um interesse por esse conhecimento (tanto do emissor quanto do receptor). Qualquer meio de comunicação que se diz imparcial, na verdade, está fazendo uma opção ideológica – e, ao meu ver, irresponsável – de se eximir da crítica social de que teria o dever de fazer, em prol da boa vizinhança com os anunciantes. O problema é que as pessoas crêem – por culpa desses mesmos veículos – que a matéria opinativa é desleal com o leitor (que deveria tirar suas próprias conclusões a partir dos – muito sobrestimados – fatos) e incentivam essa atitude dos meios, por causa da distorção de valores a que me referi anteriormente, de que uma opinião mascara um fato. Liberdade de informação não existe; o que a informação precisa para ser de qualidade é de RESPONSABILIDADE, e isso, dentro ou fora de qualquer partido ou instância, acredito que Ismael o tenha.

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A CBN Ponte-Sobre-O-Rio-Negro é realmente brilhante e original em seus argumentos: até um possível fracasso numa eventual candidatura de Amazonino ao Governo do Estado seria culpa do Serafim. Segundo Ronaldo Tirandentes, a popularidade de Amazonino estaria meio em baixa por conta do trabalho aquém das expectativas. Mas isso acontece pois, obvia e repetida e reiteradamente, Serafim deixou a Prefeitura sem dinheiro no caixa. Se Serafim tivesse deixado a grana, aposto que as 1.000 (mil, MIL) creches prometidas estariam sendo construídas; ou as escolas não estariam mandando a molecada pra rua mais cedo por falta de professor; ou os buracos teriam sido finalmente exilados mesmo depois das suaves prestações de 30, 60, 70, 90 e carnavais de Gorayeb, para que então os ônibus com Internet gratuita pudessem transitar tranquilamente pela periferia da cidade; ou o preço da passagem, ou o da meia-passagem, ou pode completar aqui com o que for: _________________, __________, _____________, ________________, _________________, _______________, ___________.  A água não entra nessa conta porque, segundo a rádio, não é responsabilidade da Prefeitura. Apenas de Serafim. Aliás, tudo o que não for culpa de Serafim – o que sobrar – poderá ser usado para enquadrar Alfredo Nascimento.

No mais, Omar ganha, Omar ganha. E Omar ganha. E Omar ganha de longe com carinha de nojo em riste, assitindo tranquilo ao pleito, montado em seu monstro de teta metropolitana e hálito de diesel e asbesto.

Hoje todos os candidatos ainda não-candidatos estão empatados temporariamente, mas só porque é Dudu que ainda está com a carinha de nojo em riste. E com as esporas: não desceu da besta pra tentar se empoleirar noutra.

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Texto bastante oportuno, retirado de “Matérias Plásticas”, do livro “Histórias de Cronópios e de Famas” (1962), do Cortázar:

…horrível confusão. Tudo caminhava perfeitamente e nunca houve problemas com os regulamentos. Agora, de repente, resolve-se reunir o Comitê Executivo em sessão extraordinária e começam as dificuldades, o senhor já verá que tipo de complicações inesperadas. Absoluta desorientação nas filas. Incerteza quanto ao futuro. Acontece que o Comitê se reúne e procede à eleição dos novos membros do órgão, em substituição aos seis titulares falecidos em trágicas circunstâncias, ao precipitar-se na água o helicóptero no qual sobrevoavam a paisagem, perecendo todos eles no hospital da região por ter-se enganado a enfermeira, aplicando-lhes injeções de sulfamida em doses inaceitáveis para o organismo humano. Reunido o comitê, composto pelo único titular sobrevivente (retido em seu domicílio no dia da catástrofe por causa de um resfriado) e de seis membros suplentes, procede-se à escolha dos candidatos propostos pelos diferentes estados associados da OCLUSIOM. É eleito por unanimidade o senhor Félix Voll (Palmas). É eleito por unanimidade o senhor Félix Romero (Palmas). Realiza-se uma nova votação, e em consequência é eleito por unanimidade o senhor Félix Lupescu (Surpresa). O presidente interino toma a palavra e faz uma observação jocosa sobre a coincidência dos nomes. Pede a palavra o delegado da Grécia, e declara que embora lhe pareça ligeiramente extraordinário, tem instruções de seu governo para propor como candidato o senhor Félix Paparemólogos. Vota-se, e ele é eleito por maioria. Passa-se à votação seguinte, e ganha o candidato do Paquistão, senhor Félix Abib. A essa altura estabelece-se grande confusão no comitê, que se apressa em celebrar a votação final, em que é eleito o candidato da Argentina, senhor Félix Camusso. Entre as palmas evidentemente encabuladas dos presentes, o decano titular do Comitê declara bem-vindos os seis novos membros, aos quais qualifica cordialmente de xarás (Estupefação). Lê-se a composição do Comitê, que fica constituído da seguinte forma: Presidente e membro mais antigo, sobrevivente da catástrofe, sr. Félix Smith. Membros, srs. Félix Voll, Félix romero, Félix Lupescu, Félix Paparemólogos, Félix Abib e Félix Camusso.

Ora, as consequências dessa eleição são cada vez mais comprometedoras para a OCLUSIOM. Os vespertinos reproduzem com comentários gaiatos e impertinentes a composição do Comitê Executivo. O ministro do Interior telefonou hoje de manhã para o diretor-geral. Este, à falta de coisa melhor, fez preparar uma nota informativa que contém curriculum vitae dos novos membros do Comitê, todos eles personalidades eminentes no campo das ciências econômicas.

O comitê deve realizar sua primeira sessão na próxima quinta-feira, mas comenta-se que os srs. Félix Camusso, Félix Voll e Félix Lupescu apresentarão suas renúncias nas últimas horas desta tarde. O sr. Camusso pediu instruções acerca da redação de sua renúncia; de fato, ele não tem motivo válido para retirar-se do Comitê e só o anima, como aos srs. Voll e Lupescu, o desejo de que o Comitê seja integrado por pessoas que não atendam pelo nome de Félix. Provavelmente as renúncias invocarão razões de saúde, e serão aceitas pelo diretor-geral.

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No manual de instruções de minha tevê não havia menção alguma ao fato de que, no caso de chuviscos ou sangramento de cores, alguns socos de força média no canto esquerdo de sua plataforma superior poderiam, milagrosamente, fazer a imagem voltar ao normal.

Há sempre pelo menos duas esferas envolvidas em saber como as coisas – bem como todas as instituições – funcionam.

E entre a papelada da teoria e os bilhetinhos da prática, não sei onde deixei minha paciência.

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