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Um modo de ver as coisas é dizer que o governo Lula, com um impulso do de FHC, tirou um monte de gente da situação de miséria no País.

Outro, é dizer que ele criou a maior e mais burra classe média de todos os tempos.

Em termos bem resumidos, Lula tirou o público do programa do Sabino Castelo Branco, por exemplo, e migrou-o para o de Ronaldo Tiradentes.

Esse povo continua sendo feito de trouxa, o que mudou foi que agora, em vez de pegar o ônibus para a emissora de TV para reclamar da falta de água, ele apenas manda um e-mail para o apresentador.

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Ismael foi para o PSB e isso irritou muita gente. Por quê?

Há uma ideia muito distorcida de que o conceito de opinião está ligado, impreterivelmente, a uma espécie de fisiologismo entre veículos de comunicação e partidos políticos. Nesse caso, o blogueiro Ismael seria incompatível com o filiado ao PSB porque sua opinião estaria sempre comprometida com a ideologia do partido.

Isso é uma besteira sem tamanho, e só pode ser imaginável num mundo de valores tão distorcidos quanto o que vivemos. Por partes: (1) toda e qualquer afirmação é ideológica (no mínimo do mínimo do mínimo, é escolher o que dizer, quando dizer e a quem dizer, o que já representa, em si, três juízos de valor). Dito isso, temos que (2) a imparcialidade é impossível, e que todo conhecimento – e toda informação, por consequência – advém de um interesse por esse conhecimento (tanto do emissor quanto do receptor). Qualquer meio de comunicação que se diz imparcial, na verdade, está fazendo uma opção ideológica – e, ao meu ver, irresponsável – de se eximir da crítica social de que teria o dever de fazer, em prol da boa vizinhança com os anunciantes. O problema é que as pessoas crêem – por culpa desses mesmos veículos – que a matéria opinativa é desleal com o leitor (que deveria tirar suas próprias conclusões a partir dos – muito sobrestimados – fatos) e incentivam essa atitude dos meios, por causa da distorção de valores a que me referi anteriormente, de que uma opinião mascara um fato. Liberdade de informação não existe; o que a informação precisa para ser de qualidade é de RESPONSABILIDADE, e isso, dentro ou fora de qualquer partido ou instância, acredito que Ismael o tenha.

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1. Uma pessoa qualquer resolve viajar para um lugar onde jamais esteve. Vai a uma agência de viagens reconhecida e fecha um pacote com passagens, hotel e alguns passeios incluídos. Os agentes da empresa são preparados para isso, especializam-se num determinado tipo de cliente, gente com boa condição financeira, e abrem-se a variações de estilo que catalogam em subgêneros: aventureiros, clássicos, sofisticados, curiosos, etc. Tudo para oferecer o melhor serviço dadas as expectativas do cliente.

O primeiro contato dessa pessoa qualquer com esse lugar distante é por meio do discurso do agente, em quem ela confia por conta da experiência que ele aparenta ter, e por conta das opiniões seguras que ele oferece.

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2. Uma pessoa qualquer resolve ver o que aconteceu ontem na cidade em que sempre morou. Compra um jornal de uma rede de comunicação reconhecida e fecha uma espécie de contrato para um passeio pelas diversas esferas da cidade, por meio de cadernos segmentados. Os repórteres da empresa são preparados para isso, especializam-se em nivelar tudo por baixo, pois o jornal quer atender às expectativas tanto do indigente que vai apenas usá-lo como travesseiro do dia (nada contra o travesseiro do dia) quanto do professor doutor interessado nas relações de poder entre as classes sociais (nada contra as relações de poder entre as classes sociais).

O contato dessa pessoa qualquer com essa cidade em que ela sempre morou ocorre, em grande parte, por meio do discurso do repórter, em quem ela deveria confiar por conta da experiência, ou da coragem, que ela espera que ele tenha e por conta das opiniões seguras que ele deveria oferecer.

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Ouvimos à CBN Ponte-Sobre-o-Rio-Negro como quem assiste a uma novela. Essa é a verdade. Não é pelo jornalismo, mas pelo entretenimento. O jornalismo, na verdade, está morto: tudo é jornalismo.

Num dia – pegando o bonde andando –, ministro corrupto (MC) e jornalista anti-ético (JAE) protagonizam espetáculo de ameaças e xingamentos antes de embarcarem para uma festa folclórica no interior do Estado. No outro, o JAE acusa o MC de ter causado danos ambientais numa obra em sua casa, mas descobrem que a casa nem era dele.

No capítulo seguinte, o MC tenta, na base de influência política, ao lado do Dono de Outro Veículo de Comunicação (DOVC) impedir a inauguração de um novo canal de TV do JAE, que fora conquistado em licitação – o que seria um grande serviço à sociedade, não fosse… –, acusando a Mãe de 70 e Poucos Anos (M70PA) do JAE de falsificar assinatura. Nesse momento entra a perícia do barbudo gordão que vive no Fantástico (PBGVF). Então o JAE passa a cobrar com mais veemência as promessas políticas do MC, como asfaltamento da BR-319 e construção de portos no interior – o que seria um grande serviço à sociedade, não fosse…

Entram comerciais do Governo.

pausa para umas tramas paralelas: Governador Chantagista e Inescrupuloso (CGI) contrai novo empréstimo para o Prosamim, e pede que a população vote em seu futuro candidato em 2010 para que o projeto siga adiante, usando as palavras “dêem (povo, com o voto) continuidade ao meu mandato”. Aí a Comunista Deslumbrada com a Alta Roda, Retornando da Viagem ao Idílico Interior Camponês da Propaganda do Governo de Centro-Esquerda (CDARRVIICPGCE) faz campanha para que o GCI se candidate ao Senado – que deve estar precisando de gente como ele… –, dizendo que, pelo bom trabalho, a vaga já estaria garantida.

Entram comerciais do Governo e cenas em tempo nada-real do trânsito.

voltando: o MC, por meio de um Advogado Obscuro (AO), coloca o JAE lá na CPI da Pedofilia, contratando uma Jovem Senhora de 28 Anos Mãe de 5 Filhos (JS25AM5F) para dizer que foi molestada sexualmente pelo JAE há 14 anos, quando trabalhava na casa dele. O DOVC, por sua vez, coloca a notícia na primeira página de Seu Jornal (SJ) e quase se pode ouvir a música triste de fundo enquanto JAE fala sobre sua pobre M7OPA assustada ao se ver diante de uma denúncia fraudulenta de um capítulo anterior; e quase se pode ouvir A Internacional (L‘Internationale) de fundo quando o JAE se recupera e diz que continuará em sua luta pela ética e pela informação de qualidade para o Povo de Manaus (PM) porque, ele próprio, agora com Seu Canal de TV (SCTV), tornara-se um Cachorro Grande (JAECG).

Entram comerciais do Governo.

Como em toda novela, todos vão se casar no final, na frente das câmeras da SCTV, que é onde essas coisas importam.

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Passei seis anos trabalhando em redações de jornal. Aliás, quando estava para ser jubilado do curso de jornalismo na Ufam, essa foi a minha principal justificativa para o atraso no canudo. Depois larguei o trabalho para terminar o curso.

Não há – na verdade jamais houve – discussão sobre a exigência de diploma para o exercício da profissão. Há uma conversa fiada sobre liberdade de expressão, e a necessidade de se legalizar uma realidade prática de mercado.Vamos por partes:

1. Um cidadão comum – atualmente um sinônimo de jornalista – pode e deve tirar proveito de todos os meios para exercer sua liberdade de expressão. Microfones, megafones, quadros de aviso, cartazes em passeatas, seções de cartas de jornais e revistas, blogs e replies de blogs, comunidades e fóruns virtuais ou não, sites de Web 2.0 e por aí vai. Os meios estão aí – no mínimo na esquina de sua casa, na lan house mais próxima –, e eles não exigem mais do que seu tempo e seu interesse em se manifestar. Dizer, portanto, que a exigência de um curso superior específico para desenvolver uma atividade na área de Comunicação Social é um cerceamento do direito pleno à livre expressão é uma bobagem sem tamanho.

2. Por outro lado, há o caso dos comentaristas específicos sobre determinados temas como saúde e economia, por exemplo, que são formados em suas respectivas áreas mas que por conta de seus “dons comunicativos”, escrevem artigos ou colunas em jornais e revistas ou apresentam quadros especiais na televisão. Se eles são bons em seus artigos… ótimo para seus leitores! Isso jamais foi contestado por qualquer entidade de classe dos jornalistas, de modo que não foi para resguardar os direitos destes comentaristas que o diploma caiu. O único direito assegurado com a queda do diploma foi o das empresas de comunicação de continuar a contratar repórteres direto de cursos técnicos de locução e apresentação.

3. O problema está num mercado em decadência. Redações são caras, e o dinheiro vem do anunciante; não do leitor. Para publicar release e adaptar B.O. de delegacia, realmente o diploma é dispensável. Para jornalismo investigativo, o dossiê já vem pronto direto da maleta do amigo da vez do dono do jornal, então o diploma é mais uma vez dispensável.

E o grosso de qualquer jornal é isso mesmo.

ps.: E estudante de jornalismo, então, tem direito à meia passagem?

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O negócio com o jornalismo é o seguinte: ruim com ele, pior sem ele. Sempre haverá espaço para abusos e manipulações – aliás, sempre haverá bem mais espaço para isso do que para qualquer outra coisa –, mas é difícil sustentar a idéia de que deva haver algum controle maior sobre a veiculação da informação. Basta cogitar essa possibilidade para o espectro da censura arrepiar a penugem de democracia que ainda nos roça a pele.

Agora, é preciso entender que um dos efeitos colaterais da imprensa é a realidade se tornar refém do simulacro. Na verdade, a questão não é nem a de que as reportagens têm mais valor que os fatos; a questão é que na maior parte do tempo só há a reportagem. Em suma: se só conhecemos os fatos através da imprensa, só conhecemos a reportagem.

O que a Petrobras fez, e que está causando um rebuliço imenso no meio, foi apenas tirar a exclusividade da informação das mãos dos veículos, publicando, num blog próprio, a íntegra das entrevistas que concedera nas últimas semanas aos principais jornais do País. Nada mais justo.

Se a moda pegar, ainda estaremos diante de mais um efeito colateral: os furos jornalísticos vão estar cada vez mais dependentes da presença forte dos veículos na Internet. Esperar até a edição seguinte para publicar uma informação que a própria fonte pode veicular na grande rede vai ficar cada vez mais arriscado.

Os jornais, de papel mesmo, vão ficar cada vez mais parecidos com revistas.

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Aos que gostam de culpar o CAPITAL pela falta de escrúpulos no trato com a informação pelos veículos vendidos de comunicação, aqui vão alguns exemplos em que o SOCIAL também arregaça as suas manguinhas:

Relato sobre a construção da Fábrica de Tratores de Kharkov (KhTZ), veiculado no jornal Em Tempo da então União Soviética:

“Pessoas vindas de todos os recantos da União Soviética, muitas respondendo ao apelo do partido e do Komsomol, a Liga da Juventude Comunista, eram gente apaixonadamente comprometida com sua tarefa. Entregavam-se a ela com toda a energia e entusiasmo. Formavam a coluna vertebral da construção, a linha de frente dos laboriosos lutadores pelo erguimento de um vigoroso alicerce da economia socialista.”

Na verdade, os “apaixonados pela causa” eram os exilados da Revolução, camponeses mortos de fome, expulsos de suas terras – que se tornariam propriedades coletivas –, que tiveram suas aldeias incendiadas, sua produção confiscada e que foram amontoados em vagões de gado em direção aos reassentamentos em grandes campos de trabalho forçado.

Outro excelente trecho, desta vez de um editorial lido por Ronaldo Tiradentes em seu programa matutino na CBN Kharkov:

“Quando bandos de andorinhas regressam das longínquas terras quentes, quando as cotovias começam a zunir nos ares e o solo se degela sob os raios de um sol brando, a estepe começa a reluzir de milhares de pás”

O texto de Ronaldo refere-se aos trabalhadores forçados a escavar a terra, e a arrastar toda aquela imensa quantidade de barro recém-escavado sobre trenós, porque até os cavalos já haviam morrido de inanição.

Fonte: A Herança de Stalin, de Owen Mathews.

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Ronaldo Tiradentes filosofa sobre o caso Wallace:

Não podemos acusar alguém só por conta de indícios.

Ontem, por outro lado, indícios – ou barrigas no jargão jornalístico – bastaram para descer o pau no ministro Alfredo Nascimento por conta de uma obra ilegal numa casa que nem era sua.

Escrevo curto por detestar defender, mesmo que indiretamente, um boa praça como o Nascimento.

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Parece que deu tempo do secretário de Estado da cultura, Robério Braga, ir ao banco pagar a prestação mensal da CBN, que já estava em atraso. Em vez da famosa cartinha de notificação, entretanto, o secretário recebeu a mensagem durante a própria programação da rádio, por volta das 8h: seu nome iria para o SPC da opinião pública. Ronaldo Tiradentes iria começar a falar sobre o escândalo da Fundação Amigos da Cultura, que recebeu do Estado, sem licitação, mais de 260 milhões de reais em seis anos.

Caso já tenha quitado seu débito, favor desconsiderar este aviso.

Agora, 9h30, Ronaldo Tiradentes disse apenas que está tentando entrar em contato – sem sucesso, obviamente – com a tal Fundação.

Nenhuma palavra sobre Robério, o manda-chuva de lá.

Favor desconsiderar este aviso.

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Na rádio CBN Iranduba, um pouco mais cedo, Ronaldo Tiradentes dá uma volta e quase… quase… para no mesmo lugar:

Sobre a confusão do transporte coletivo, ele disse que o problema é antigo, vem de antes do atual prefeito Amazonino, vem de antes também do Serafim, até mesmo de antes do Alfredo Nascimento, vem desde… desde… aí ele parou. Antes… seria Amazonino de novo (e seu vice, imperador Eduardo Braga, que assumiu no meio do mandato).

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